Uga! Uga!
Nossa, faz tanto tempo que não escrevo aqui neste blog, que dá a impressão que ele está às moscas. Mas não está, meus caros! Eis que um dia desses eu verifiquei as estatísticas de visita dele, e não é tão ruim quanto parece. Acreditem, existem pessoas que o leem.
Faz um ano e um pouco que não mando sinal de fumaça, aconteceu tanta coisa nesse tempo que fica difícil resumir. Vou tentar mesmo assim.
1) Muitas vitórias e algumas poucas derrotas

Recebendo o MTV Award com Britney Spears
Na parte acadêmica, ao contrário do que eu imaginava, eu fui capaz de passar em quase todas as matérias. Algumas na recuperação (a famosa rattrapage, em francês), algumas na sorte e outras sabe-se lá como. Eu imaginava que matemática seria um grande desafio, e foi, mas, por incrível que pareça, eu validei Matemática 1 e 2, e estou de recuperação de Matemática 3. Agora os grandes desafios pra mim, de verdade, foram (e continuam sendo) Photonique e Automatique (respectivamente fotônica e automação & controle).
2) Houve momentos difíceis

A vida de gladiador não é fácil
Para muitas pessoas que estão no Brasil, pode parecer que vir para França (ou para um país desenvolvido) é um mar de rosas, é chique, é lindo. Já falei um pouco sobre isso nos primeiros posts: há muitas alegrias, mas também muitos são os desafios. Durante pelo menos três épocas diferentes na minha estadia por aqui eu me senti muito abatido e desanimado: a primeira vez foi por causa da descrença na possibilidade de eu ter sucesso nas provas do primeiro semestre (início de 2011), quando eu chutei o balde, não estudei e por sorte não me dei tão mal quanto pensei; a segunda foi quando eu torci o pé e fiquei quase um mês com grande dificuldade de mobilidade (usei muletas, mal podia subir escadas ou andar normalmente), mas aprendi a respeitar bastante as pessoas com algum problema para se locomover; e a terceira deve ter sido por causa do frio, acreditem, é triste passar três meses morrendo de frio.
3) Não faltaram viagens e alegrias

Viagens maravilhosas como aos calanques de Marseille
É verdade, aproveitei toda oportunidade que apareceu para viajar, economizando sempre que possível nas mesmas, para não estourar o orçamento. Mesmo que as odiemos, muito obrigado Ryanair, EasyJet, Pegasus, SNCF, Eurolines, só para citar alguns dos responsáveis pelas nossas grandes travessias. Não acreditava ser possível ir e voltar de Valência de avião, a partir de Marseille, pagando 22 €, ou ir e voltar de Londres pelo mesmo preço. Entretanto é possível e é o que fazemos sempre. Além disso, tive as alegrias que independem de viagens. Por exemplo, há três semanas tivemos aqui em Marseille um show fenomenal da Orquestra Voadora do Rio de Janeiro, tocando com a fanfarra da nossa école, a Farigoule. Foi emocionante!
4) Eu aprendi muito

O aprendizado é importante em todas as etapas da vida (Lutz-R. Frank)
A experiência e a vivência deste duplo-diploma, e os dois anos em Marseille, na França, permitiu-me aprender uma enormidade de coisas. Talvez a parte acadêmica não tenha sido o mais importante, se comparada ao que aprendi no quesito “se virar”. É preciso fazer um macarrão alho e óleo, ou lembrar de lavar a roupa do cesto cheio até o topo, e também sobreviver num lugar distante com uma língua indecifrável e sem ter muito dinheiro no bolso. Esse é um lado bom de uma escola generalista: sabemos que somos ignorantes a respeito de uma gama enorme de assuntos, e nem por isso desistimos de resolver os problemas advindos deles. Deve-se ter coragem e auto-confiança para levar a sério quaisquer problemas que estejam a nossa volta. Não custa lembrar de Gideon Sundback, engenheiro elétrico sueco/americano. Ele foi o responsável pela criação do zíper. Não é a toa que a engenharia é a arte de resolver problemas. Gosto muito desta definição dada pelo Dr A. R. Sykes:
Engineering is the art of modelling materials we do not wholly understand into shapes we cannot precisely analyse, so as to withstand forces we cannot precisely assess, in such a way that the public has no reason to suspect the extent of our ignorance.







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